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29
Mai

Defender uma CAIXA pública e sustentável

Por Sandro Brito

Representante dos empregados no CA

Neste mês de maio a Caixa apresentou à imprensa e ao público em geral os seus resultados econômicos do primeiro trimestre de 2026.

Tais demonstrativos foram analisados tanto pelo Conselho de Administração quando pela auditoria independente e considero importante compartilhar algumas reflexões sobre esses debates, tanto pelos aspectos positivos apresentados nos números da empresa quanto pelas preocupações estratégicas que entendo serem fundamentais para o futuro da CAIXA.

A primeira constatação que precisa ser feita é objetiva: a CAIXA segue sendo uma instituição sólida, robusta e indispensável para o Brasil. Estamos falando de um banco com ativos superiores a R$ 2,3 trilhões, liderança absoluta no crédito habitacional, forte presença na execução de políticas públicas e uma capilaridade que nenhum outro banco possui em território nacional.

O resultado do primeiro trimestre trouxe indicadores positivos importantes, como lucro líquido de R$ 3,469 bilhões, expansão da carteira de crédito e manutenção de indicadores prudenciais confortáveis. Mas é fundamental destacar que nenhum desses resultados seria possível sem o trabalho diário das mais de 80 mil empregadas e empregados da CAIXA.

Mesmo diante de enormes dificuldades operacionais, pressão por resultados, sobrecarga de trabalho, redução de estruturas e constantes desafios enfrentados nas unidades, os empregados seguem entregando resultados expressivos para a instituição e cumprindo um papel essencial para milhões de brasileiros.

Ao mesmo tempo, limitar a análise apenas ao lucro líquido seria insuficiente. O próprio Relatório de Execução Orçamentária demonstra que o resultado operacional ficou significativamente abaixo do planejado. Enquanto o lucro líquido atingiu cerca de 89,6% do orçamento previsto, o resultado operacional executou apenas 56,2% do que havia sido projetado.

Além disso, parte relevante do resultado foi impactada positivamente por efeitos tributários relacionados à constituição de ativos fiscais diferidos, o que exige atenção quanto à qualidade e recorrência desses resultados ao longo do tempo.

Outro ponto importante do debate foi o crescimento expressivo das provisões para perdas associadas ao risco de crédito. Parte relevante desse movimento decorre da implementação da Resolução CMN nº 4.966/2021, que alterou profundamente os critérios de contabilização das perdas em instrumentos financeiros, substituindo a lógica tradicional de perdas incorridas por um modelo de reconhecimento de perdas esperadas.

Essa mudança regulatória precisa ser considerada para evitar interpretações simplistas. Por outro lado, também seria equivocado ignorar o aumento efetivo da inadimplência em segmentos importantes, especialmente no crédito comercial, rural e habitacional.

No caso da habitação, o tema merece atenção especial. O crédito habitacional é a principal vocação histórica da CAIXA e um dos pilares de sua função pública.

Outro tema importante diz respeito à transformação estrutural do sistema financeiro brasileiro. A expansão do PIX como principal meio de pagamento do país representa um enorme avanço em modernização e inclusão financeira, mas também vem reduzindo receitas historicamente relevantes para os bancos.

A principal preocupação que registrei durante as discussões esteja relacionada ao avanço da transferência de atividades para subsidiárias.

Os documentos analisados demonstram um movimento contínuo de deslocamento de receitas, operações e atividades economicamente relevantes da estrutura principal da CAIXA para subsidiárias do conglomerado. A continuidade dessa política pode produzir, no médio e longo prazo, um processo gradual de esvaziamento da empresa principal e comprometer a própria natureza pública da CAIXA.

São números gigantes e complexos que dever ser avaliador de forma profunda e contínua, buscando garantir a perenidade e sustentabilidade desse banco que é tão importante para o Brasil.

Meu compromisso continua sendo o mesmo: defender uma CAIXA pública, forte, integrada, sustentável e presente na vida dos brasileiros.

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