FENAG debate com ex-presidentes da Caixa o futuro do banco


Presidente Mairton Neves, foi um dos convidados da live histórica realizada por Rita Serrano




Ontem (25), à noite, o presidente da FENAG, Mairton Neves, participou da live histórica com seis ex-presidentes da Caixa desde 1992, numa discussão virtual acerca do futuro do banco público, com lideranças de entidades representativas de empregados da Caixa.

Danilo de Castro (1992/1994); Jorge Mattoso (2003/2006); Maria Fernanda Coelho (2006/2011); Jorge Hereda (2011/2015); Miriam Belchior (2015/2016) e Gilberto Occhi (2016/2018) assinaram uma carta pública em defesa do banco (leia abaixo). Nelson de Souza declinou sua participação por motivações profissionais.

Além de Mairton, estiveram presentes, Anna Claudia de Vasconcellos - Advocef, Geraldo Aires - Aneac, Marcelo Silveira - AudiCaixa, e Giuliano João Paulo da Silva – SocialCaixa que também se manifestaram em defesa da Caixa e contra a Medida Provisória nº 995/2020.

“Este é um momento histórico da nossa empresa. Estamos sendo atacados como nunca, mas tê-los conosco e ouvi-los nos fortalecem mais. Aproveito para chamar os colegas a darem as mãos, pois a Caixa é um banco com alma, mas o corpo está prejudicado com os ataques sofridos”, lamentou Mairton, “somos um corpo, uma alma e apelo a cada economiário falar a sociedade para perceber a importância do banco a todos os brasileiros e termos um corpo íntegro e com vitalidade para seguir nos próximos 159 anos”.

A FENAG transmitiu a live ao vivo em sua fanpage alcançando mais de 6,1 mil visualizações nas cinco regiões do país em quase duas horas e meia de duração (mesmo paralela às assembleias relativas à campanha salarial de 2020 da categoria). A representante eleita dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano, promoveu e intermediou na série “O X Da Questão” que pauta pontos acerca do banco e seus funcionários.

Caixa 100% pública é unanimidade entre ex-presidentes do banco

Danilo de Castro, que presidiu a instituição de 1992 a 1994, relembrou tê-la assumido na etapa de maior dificuldade da história da Caixa, coincidindo com a demissão massiva em represália aqueles que aderiram à greve e a proposta de privatização do então ministro da Fazenda, Itamar Franco, para solucionar a suspensão dos pagamentos dos contratos habitacionais durante um ano: “conseguimos recuperá-la com um esforço imenso. Hoje, nós, empregados, clientes e população, temos de trabalhar contra a MP 995/2020 para impedir que destruam o tesouro do Brasil, que tem um futuro promissor no mercado para ter respaldo na sua função social”.

Jorge Mattoso, presidente da Caixa entre 2003 e 2006, lamentou as investidas do governo atual para garantir a privatização do banco público e não usá-la para assistir à população. “Os desafios de hoje são extraordinários, agravados com o teto de gastos, mas nos é uma oportunidade única de repensarmos a Caixa acerca de tudo o que somente ela tem capacidade de realizar no presente e no futuro para assegurar o acesso ao crédito para a retomada do progresso”, defendeu ele, “todos os brasileiros têm o papel de evitar a privatização que comprometerá muitas outras instituições”.

Maria Fernanda Coelho, primeira presidenta mulher do banco, no período de 2006 a 2011, recordou que atuar na Caixa permitiu se sensibilizar com as verdadeiras necessidades dos brasileiros que foram tão bem supridas graças ao sucesso de estratégias de acesso ao crédito. “Apenas existe uma única condição para o processo de retomada da economia e de recuperação da crise: pensar em políticas públicas que reduzam a desigualdade social”, ressaltou.  

Jorge Hereda, na presidência do banco entre os anos de 2011 e 2015, também afirmou compreender o papel importante da Caixa ao assumir como vice-presidente de Habitação, dado o elevado nível de competência, esforço e compromisso: “Nada se compara a Caixa, que, muito mais que um simples banco; é um agente de execução de políticas públicas e um instrumento para erradicar as desigualdades sociais. Os empregados se sensibilizam com o país e com as pessoas. Tudo o que já se foi pedido à Caixa, ela entregou. Não será mais possível afirmar sua inutilidade após a pandemia”. Hereda igualmente defendeu o banco público na concessão de crédito, o que aborrece a concentração dos bancos privados por ser possível regular esse mercado. “O futuro da Caixa está ligado ao Brasil. Precisamos ser resistentes e nos mobilizar contra a MP 995, que coloca não apenas o banco público em risco, mas o país”, concluiu.

Miriam Belchior, presidenta da Caixa em 2015 a 2016, foi enfática ao afirmar que o banco público possui funções que aqueles do mercado não se dispõem a cumprir, como o pagamento do Auxílio Emergencial, destacou o diferencial da Caixa como braço de operação de políticas públicas dos governos federal, dos estados e municípios e criticou a MP 995 e o programa habitacional recém-lançado: “entregar o patrimônio do Brasil a estrangeiros sem aprovação do Congresso é assinar um cheque em branco. Dezenas de entidades e partidos políticos já entraram com Ação Direta de Inconstitucionalidade – Adin no Supremo Tribunal Federal. A luta será árdua, mas se nos articularmos, vitoriosa. É preciso conceder subsídios ainda maiores para viabilizar o programa”.

Gilberto Occhi, sucessor de Miriam até 2018, foi contra o banco se tornar Sociedade Anônima com Rita Serrano, e acredita haver uma busca silenciosa de enfraquecimento da Caixa ao alienar a Lotex, excluir as “raspadinhas”, mudar emendas parlamentares e reduzir a remuneração da administração do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço – FGTS, do qual a centralização permitiu transparência e tranquilidade aos trabalhadores. “A venda do maior valor no banco, o seguro de financiamento habitacional, que poderia ter ido a leilão, faltou cristalinidade. Todo governo sonha em ter a tranquilidade de suas estatais obtendo resultados positivos, como a Caixa que tem lucros recordes a cada ano”, protestou, “a Caixa possui ativo enorme a ser explorado assim como o Brasil tem um mercado interno a explorar. Por que não desenvolver as potencialidades em seguros, cartões e loterias para garantir sustentabilidade? Temos de alinhar o papel social da Caixa às oportunidades que surgem”.

Rita afirmou que a Caixa é de todos os cidadãos brasileiros: “mesmo com o advento do banco digital, seus empregados se superaram mais uma vez e ainda atendem metade da população brasileira, porque tem no seu DNA a missão pública no sentido mais nobre da expressão. A eles, dedico esta live que reúne mais de cinco décadas de história da Caixa”. 



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