Aumento de meta é um desestímulo aos empregados da Caixa





O aumento exorbitante de metas implantado pela CAIXA no dia 16 de novembro, ou seja, a 45 dias do final do ano, e em pleno calendário de atendimento à população brasileira, em função do Auxílio Emergencial, é um grande desestímulo aos gestores e demais empregados da CAIXA.

            Durante toda a pandemia que assola o Brasil e o mundo, os empregados da CAIXA têm se desdobrado para atender a milhões de brasileiros que estão sendo beneficiados pelo Auxílio Emergencial.

            As jornadas têm sido desgastantes, em função da grande demanda por atendimento nas agências de todo o país. Para prestar esse atendimento, os gestores da CAIXA contam com suas equipes reduzidas, em função da implantação do trabalho em home office, e ainda tem que prestar atendimentos aos sábados, reduzindo ainda mais o tempo para se dedicarem às suas famílias, que vivem esse momento de isolamento social.

            Os funcionários, que durante a pandemia foram chamados pela administração da CAIXA de “heróis de crachá”, ainda tiveram o compromisso da Vice-Presidência de Rede, de que não seriam cobrados por resultados, durante o período do atendimento aos cidadãos beneficiários do Auxílio Emergencial.

            No entanto, quando ainda cumprem um calendário específico para atendimento ao Auxílio Emergencial, prestando atendimento aos sábados, estão sendo obrigados a atender todos os clientes que se dirigem à Agência, independente da capacidade de pessoal disponível, descumprindo até os decretos municipais que limitam o atendimento, sob risco de serem penalizados por recusa de atendimento mesmo se tratando de serviços não essenciais.

            A questão principal é que não se trata de um simples ajuste de metas, no Crédito Pessoa Jurídica o aumento representou até 800%; no SBPE/PF chegou a mais de 400%, no item Seguro Prestamista 200% e Seguro Residencial 250% de aumento, tomando por base o mês de janeiro deste ano e o mais desesperador é que faltam pouco mais de 30 dias úteis para o fim de 2020.

A CAIXA justificou o aumento das metas divulgado no final de outubro como um simples reposicionamento para atingir o resultado planejado e adequação ao mercado, entretanto, a questão principal é que não foi um simples ajuste de metas. Em relação a agosto, no Crédito Pessoa Jurídica o aumento representou em média 800% em algumas Unidades, desde SUV até Agências; com aumentos significativos em SBPE/PF, Previdência, Seguro Residencial, Crédito Varejo PF e Seguros Prestamista e de Vida.

            Segundo relatos de colegas gestores, os números desse ajuste ficaram inexequíveis para muitas Unidades, aumentando a ansiedade, o desespero e gerando doença entre alguns profissionais. Identificamos agências cujas metas de Crédito Pessoa Jurídica tiveram crescimento de 1.400% de agosto para dezembro/2020 e esses números só foram disponibilizados no Conquiste no dia 16 de novembro, faltando pouco mais de 30 dias úteis para fim de 2020.

            Aliás, o aumento abusivo de metas é um tema que tem sido tratado, ao longo do ano, pela FENAG com a CAIXA. Após várias tentativas sem sucesso, em setembro passado a Federação, juntamente com as Associações dos Gestores de todo o País, ingressaram com uma Ação Judicial de Assédio Moral, em desfavor da CAIXA, dentre outros motivos, justamente pelos aumentos absurdos das metas, em pleno momento de pandemia.

            Segundo o Presidente da FENAG, Mairton Neves, “é preciso que a CAIXA se sensibilize, neste momento tão difícil para todos, e reconheça o esforço dos empregados da CAIXA para cumprir, com sucesso, uma das missões mais nobres postas a ela”.

            Recentemente, a FENAG buscou junto à CAIXA a retomada do diálogo, visando encontrar soluções conjuntas para os problemas enfrentados pela rede da empresa, em função da grandiosa demanda existente e dos riscos inerentes aos serviços prestados pelos empregados da CAIXA.

            A CAIXA abriu uma agenda que incluiu não só a FENAG, mas as Associações de Gestores (AGECEF) de todo o País. No entanto, as demandas apresentadas, tanto pela FENAG, quanto pelas AGECEF’s ainda não tiveram resposta satisfatória, e uma dessas demandas é justamente relacionada ao aumento das metas e aquelas que tiveram resposta não foram cumpridas por falta de ação da alta direção. Como exemplo a promessa assinada em ofício de ter somente 01 Gestor sem direito a horas-extras por sábado em cada agência e o que se vê são 03, 04 ou mais Gerentes Gerais aos sábados em algumas agências.

Nesse momento a pergunta que fica é “Qual o objetivo da implantação desse clima de insatisfação nas agências da Caixa?” A quem interessa desengajar equipes inteiras no momento decisivo de final de período de avaliação? Continuaremos pedindo uma revisão de metas que considere o momento atual da economia, a pandemia e as condições de trabalho dos empregados e Gestores e que torne possível o atingimento da Alta Performance no fechamento de 2020.         



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